sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Foda-se, Juliet



Juliet mal se preocupava em dar satisfações, nem dizer o que tinha feito durante o dia e em quê ou em quem havia pensado, gostaria apenas de poder correr pelos campos verdes da pequena cidade do interior da Inglaterra onde viveu. Ele, ao contrário, queria poder levá-la a lugares extraordinários, queria apenas poder ver algum brilho de admiração em seu olhar, algo relativamente difícil nesses dias tão longos e tediosos.
Não cometer erros tinha sido uma de suas promessas, Juliet também tinha dito algo sobre manter contato, não se recordava muito bem. Ainda assim, preferia levar um soco no nariz do que ter aquela conversa chata e previsível que se esticaria pelas próximas horas.

No final das contas, tudo parecia normal de novo. Um copo de café expresso na mão direita, a televisão ligada num programa de culinária francesa, e o cansaço mental de uma briga sem fundamento. Às vezes se perguntava o que a mantinha naquela vida amorosa tão instável e, talvez estivesse exagerando, um pouco infeliz. Juliet odiava a sensação de não saber as respostas mais óbvias em situações como essa, a culpa não era dela de não poder estar presente em todos os momentos que um casal comum deveria partilhar.
Provavelmente "foda-se" seja muito gentil para se dizer em tal ocasião.